segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

UM NOVO ESPÉCIME!



Eu que recusei ser cúmplice do meu par que atirou a toalha ao chão na Caminhada Ultra Longa das Lezírias, não sabia nem sonhava o que o futuro me reservava. Acabei por completar mais de 1.000 kms a palmilhar terras lusas com os NTI (Novos Trilhos Insanos) em 2013, com direito a diploma oficial e moinho de bronze e tudo.


Por trilhos que muitos considerariam impossíveis, cerrados canaviais e silvados, cercados, muros, nas mais diversas condições meteorológicas: chuva, frio, calor, lama, muita lama, atravessando riachos, ribeiros, pontes periclitantes, lá estive sempre a dar o meu apoio, enfim a cumprir mais do que a minha função…


A evolução natural deste Grupo de Caminheiros, levou muitos deles a lançarem-se nas aventuras dos Trails “à séria”, para o qual muito contribuíram: i) os 2 experimentos amadores organizados pelo Grande Insano; ii) as conversas recorrentes de Caminheiro bastante batido nessas andanças sempre muito solicito a prestar todos os esclarecimentos e constantemente a exaltar as maravilhas de tal actividade; e iii) o feito épico de 110 kms por terras castelhanas de Caminheiro aparentemente “embiasado”.


Foi vê-los a arquitectarem t-shirt, impondo-se decisões quanto ao logo e cor. Por razões de ordem prática, o amarelo duvidoso deu lugar ao preto com reflectores prateados.


Tudo pronto para a estreia oficial da Equipa, que ocorreu no passado dia 2 de Fevereiro em Bucelas. A excitação era tal que de véspera procederam ao levantamento de dorsais, com receio quiçá de não terem tempo para preparar o equipamento a preceito.


Por falar em equipamento, entro eu de novo. Eu alimentava a esperança de ficar a descansar após caminhada de sábado e não me meter nesse negócio do Trail. Nada mais errado, por via das dúvidas e em face do aviso da organização e das condições do terreno, recomendava-se o uso de bastões.


Na alvorada de Domingo de manhã, foi vê-los chegarem sorridentes, a exibirem orgulhosamente as suas t-shirts, sapatilhas e licras a condizerem com o evento, debaixo de um frio quase alpino convidativo a correrias pelos trilhos a fora.

Equipa Novos Trilhos Trail


Após o tiro de partida, foi ver a mancha negra a dissolver-se no pelotão, de acordo com o ritmo e condições que o esqueleto e a força de vontade de cada um permitem, sempre com a determinação e confiança adquiridas noutras andanças com os Novos Trilhos.
A mancha negra ao ataque
                                   
Após o km inicial em asfalto, foi o início das hostilidades: estradão esburacado cheio de poças de água, tal como uma estrada alfacinha que se preze; era ver os estradistas numa dança que se viria a revelar inútil na tentativa de evitar a água e sujar os Asics, Salomons XPTO e afins… Um mero aperitivo para a NHA NHA LAND que se seguiria; na primeira descida a bordejar vinhas de Arinto foi ver alguns concorrentes a perderem sapatilhas no lamaçal e a verem-se gregos para as reencontrar… (não consta que cortasse a meta, atleta parcialmente descalço), numa sucessão de subidas e descidas do lado de cá e de lá da CREL.


Por NHA NHA Land
                                             
Sensivelmente ao km 4, ainda hesitei e numa manobra pouco convicta, sob olhar atento de um voluntário da Organização, tentei dar por terminada a minha função e desconjuntei-me em vão. Nada comparável àquele passe de mestre da parte do meio do meu par nas Lezírias… Lá me recompuseram e foi seguir marcha…


Confesso que até me diverti e senti que fui de grande utilidade nas subidas mais íngremes, na poupança de articulações nas descidas, na transmissão de confiança nos lamaçais; até servi de arma de defesa contra um golpe de ricochete de cana segurada por parte de um atleta mais imprevidente…


E continuou...
                                             

TODOS os elementos da Equipa NT concluíram as respectivas provas, uns percorreram 15kms, outros 25kms, estes mais privilegiados já que tiveram direito a banho de rio e tudo. Por pouco escapou um lugar no pódio… Apesar de alguma dureza da prova, pude testemunhar a satisfação que reinava no seio do Grupo e da festa que faziam à medida que iam chegando







Acho que não estarei a exagerar se afirmar que se assistiu ao nascimento de novo espécime.

Eis o Homo Trailus Insanus:

Composição: Paulo Vieira