quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A brincar a brincar já vão dois…

A verdade verdadinha é que tenho mais dois anos… mas o espelho ainda não mo disse!

Parece que foi à meia hora (não vou dizer que parece ter sido ontem porque a memoria já não chega tão longe). Acabara a ultima caminhada do ano, o local era o Parque de Montachique e os trinta e tal caminheiros sumiam-se desejando um bom ano e um, até à próxima. Eu andava por ali maravilhado. Tinha gasto as ultimas horas percorrendo locais já conhecidos e outros, ali tão perto, por onde nunca havia passado. Agradou-me o espírito aventureiro e a não hesitação, perante veredas sem trilhos, levar de assentada um batalhão de andantes serras acima. Gostara da caminhada, do ambiente e daquela forma ou conceito de fazer caminhadas. Conhecia muitos dos que quiseram fazer parte do ultimo suspiro do ano, com outros era a primeira vez. Entre os da primeira vez estava o mentor, organizador, guia, chefe de fila, timoneiro, sei lá eu! Era por ele que ali estávamos, foi por ele que ficamos de papo cheio, qualquer cognome lhe ficava bem. Abeirei-me dele
   - Quando é a próxima caminhada? Vai haver não vai? Onde me posso inscrever e como?
ele
   - Sei lá eu! Comecei agora! A ideia é começar a fazer estas coisas mas ainda não sei como… ainda tou a digerir isto tudo… estava a contar que aparecessem prá´i meia dúzia de caminheiros e vieram alguns trinta ou mais… isto é de mais!
A euforia contagiava e a esposa compartilhava com ele essa euforia regozijando por tantos terem vindo para a primeira aventura que quiseram oferecer como prenúncio do que estava na forja… a aquecer em fogo vivo, eles
   - Vai procurando no FB, e mail, há-de aparecer qualquer coisa
e alguma coisa apareceu na semana seguinte e nas outras e nas outras e nas outras, era um corrupio nas redes e, aos fim de semana o encontro inevitável para dar estocada na rotina e deixar fluir a maluqueira. Assim se cumpriu um ano que teve comemoração com repasto à NT, marca que já corria boca e que ia recebendo louvores e apupos, conforme a disponibilidade de quem por lá ia passando.
Foi o ano da experimentação!
O ano seguinte, que terminou á pouco, continuou com o mesmo ritmo a mesma disposição o mesmo espírito insano e a mesma dança de companheiros, que vão e vêem, e daqueles que não desgrudam tendo uma fidelidade tão grande ao grupo que idealizaram a farda (já lá iremos) que hão-de vestir em todas as cerimónias para que forem convidados, incluindo o próprio casamento.
O inicio do ano foi andando com chuva que caiu já para dentro da Primavera, com ela desaguou também alguma criatividade no seio do grupo e as iniciativas multiplicaram-se: prosas e poemas; comentários; reportagens; documentários, a pouco e pouco o Blog, entretanto criado, foi revelando os retalhos do pensamento e a vida foi ganhado coisas novas para se recompor das velhas que vai perdendo.
Os aniversários vão-se comemorando à média de um por semana e, em todos eles, somos prendados com miminhos de doçaria pessoal para repor as calorias que esgotamos nos vinte e tal km a dar às canetas.
A rotina nas caminhadas, muitas delas correm por trilhos já muito passados, é adocicado pela sã convivência e simpática maluqueira que se pratica durante as horas que calcorreamos por montes e planícies. Um disparate é transportado para o saco dos ideólogos que logo o aproveita para marcar mais um ponto na personalidade do grupo: camisolas NT é disso exemplo. Mas rotina também se quebra na descoberta ou abertura de novos trilhos. Quando, no horizonte, surge um monte coberto de mato cerrado impedindo que o cume seja tomado, o imprevisto é de pronto dominado. Se não há moto serra, remedeia-se com o pau e quando não há pau sarrafa-se à bastonada e, refilando ou amalucando, lá seguem todos na peugada de quem idiotou estes encontros e semeia boa vontade para que, no fim, todos cantem… até à próxima pessoal.
Pelo ano fora, os heterónimos de alguns papa léguas foram dominando o ambiente entre caminhantes relegando para plano secundário quem lhes deu vida. O Sr Magalhães foi deposto plo Guimarães e também plo Ricardolas e às vezes também Princesa; a D Lucilia é dominada pla Lucinda que recentemente anda com ares de LucyFera; à D Catherine saiu-lhe a Catyzinha mas por respeitosa finura também é a Senhora Dona Lady; Luisa Guerra esconde-se na Toca e Foge com tics de MatHari; há por lá um certo João que foi “abençoado por Deus” e ficou no reino dos céus como Jean (eu bem desconfiava que o Divino Ansião andava a abençoar coisas estranhas, nunca pensei é que a senilidade fosse tao profunda); há também umas tais de “Polainas com Folhos” que ninguém sabe quem é mas que ganhou enorme popularidade no seio da insanidade; o Chefe é o chefinho que já foi pastor o homem da serra… e por ai adiante que já não me lembro de mais.
Assim foi correndo o ano, assim se cumpriu o segundo dos incorrigiveis NT.
E foi para comemorar o segundo ano que aburricaram no “Burrico” em Avessada, quarenta e tal glutões que se alambazaram com bacalhau vitela e a pinga que lhes soltou as línguas, afinou as gargantas, e lhes deu um empurrãozinho para o pezinho de dança onde brihou o mestre da “salsa” com passes de “tango” ao som do “paso doble”.
Mas, para um ano cheio de iniciativas, cheio de coisas novas, cheio de amizade, cheio de coisas boas e cheio de emoções, não podia faltar a “pièce de resistance”.
Houve varias e começam, arbitrariamente como é óbvio, mas como ainda lhe sinto o sabor, pelos licores que o compadre António Vicente trouxe com ele, simplesmente divinais. Tanto que nem as garrafas sobraram. Temos de fazer uma coleta para comprar uns frasquitos para que ele possa trazer mais…
Obrigado António!
E que dizer das galinhas? Aquelas que passeiam em casa da Dina e do Zé e mandam os tratadores dormir no galinheiro! Já tinha saboreado canja de galinha, galinha de fricassé, galinha corada, galinha de cabidela, agora, bolos de ovos de galinha!? Meus amigos, se há coisas que me fazem delirar pelo prazer de estar vivo para delas gozar o sabor, pois podem crer que aquele bolo que as galinhas tao bem ornamentaram, foi uma delas. Claro que a Dina e o Zé tiveram papel importante na confecção de tão saboroso mimo, mas o que é isso de amassar a massa, pô-la no forno, bezunta-la de calorias, desenhar o logotipo Novos Trilhos na capa cremosa, botar umas botas de chocolate, enfeita-lo com silvas e caniços e servi-lo, para deleite dos nossos suplementos calóricos? O que é que é isso comparado com os quarenta e dois ovos que as gloriosas galinhas botaram? Ainda por cima num dia em que saíram com uma dureza de fazer cócóricócó…
Muitos parabéns Dina E Zé e Muito obrigado!
Falei de ideias, falei de iniciativas, mencionei camisolas ou tshirt´s, o que quiserem.
Alguém ideiou, o Paulo Vieira concretizou, o João Elias (será Jean também) comercializou. Depois de mochilas bastões e polainas com folhos, já temos farda. Somos agora a guarda avançada nos caminhos de Portugal…
Obrigado Paulo & João!
Caminheiro que se preze tem de ter Diploma, passado e autenticado por quem de direito. Como não há uma sem duas, os diplomas referentes ao segundo ano iam sendo distribuídos, num enorme dilúvio de fanfarronada, aos consagrados insanos que percorreram mais de meia dúzia de km. Era num regabofe a roçar o caos que o papel de consagração chegava às mãos do resplandecente consagrado. Por entre tanta balburdia ouviu-se… “ óóó pessoal… bora lá animar isto…”, donde  raio vinha tal pregão? Só podia vir dos moinhos que acompanhavam os diplomas pois então. O vento que soprava na sala roçava pelas velas do oferecido engenho que cantavam em notas soltas bem timbradas o pregão de incentivo que tantas vezes se ouve pelos caminhos que percorremos e que é como um grito de guerra na bandeira que hasteamos.
Mas que raio! Moinhos!? Pregões!? O que é que está a ligar tudo isto?
Se não fosse tão simples seria uma investigação para o Sargento Mendonça, mas não é preciso ir tão longe.
Há um ganda maluco que apregoa muita coisa durante as caminhadas, o que se ouvia na sala era da sua autoria. Esse ganda maluco fez anos e quis oferecer uns bolinhos de canela em forma de moinho. Corria tudo muito bem até ao seu entusiasmo pela pintura do varão, esqueceu os bolinhos no micro ondas e, quando deu por isso, estavam impróprios para lhes ferrar os dentes. A arte para a pintura adquirira-a fazendo cocegas ao varão e com a tinta que sobrara pintou e decorou com velas de pano cru as agora esculturas oferecendo-as aos companheiros num gesto de sincera amizade que a todos sensibilizou.
Percebem agora? O pregão e os moinhos são água do mesmo ribeiro e passarinhos do mesmo ninho, deslizam e cantam como quem os criou.
Perguntam vocês: - E quem é esse ganda maluco?
Ah! É o Sr. Ricardo Magalhães… não sabem quem é? O Guimarães… o Ricardolas… a Princesa… o… ah já sabem, pois, foi esse… “ óóó pessoal… bora lá animar isto…”
PARABÉNS RICARDO e muito muito muito OBRIGADO, pela animação que tens dado a tudo isto... e pelos moinhos também!
E pronto, a festa acabou! Pró ano há mais, até lá… olha, vamos caminhando e espalhando insanidade por essas serras fora…
Ah, o Sr de quem falava no início deste testamento, chama-se Francisco Antunes, é ele o responsável por isto tudo…

Foi o ano da confirmação! YYYYEEEEEESSSSSSS….

Peço desculpa por não ilustrar com fotos mas é tarde e tenho de ir dormir...

joaocasaldafonte