quarta-feira, 27 de março de 2013

Um ano cheio...


Era uma mensagem como outra qualquer.
Um convite para uma caminhada igual a tantas outras.
Com certeza que sim. A outra opção para esse dia seria: dormir até mais tarde, aborrecer-me a ver o tempo passar e ficar mais velho, logo, mais rabugento.
Montachique? Já conhecia! E depois? Se há coisas que devemos fazer com frequência e as vezes que nos dá na gana, é sentir o contacto com a natureza. Seja onde for há sempre coisas novas para ver. O que não vemos hoje, amanha há-de ser visto. As serras, os montes, os prados, as árvores, as planícies, estão em constante mudança. A luz que a manha nos trás, tem tonalidades diferentes todos os dias e todos os dias nos encanta. É por esse encanto e porque doutra maneira não chego tão perto do sonho, que caminho ao encontro da pureza que a terra ainda conserva. E depois: andar a pé é o nosso destino! Fazemo-lo desde que nascemos! E só não vamos a pé para a eternidade porque nessa altura já as pernas não suportam o corpo.

Lá fui.
O ano estava no fim e acabar com uma caminhada era magnífico. Sabia que ia encontrar caras amigas, caras conhecidas e caras novas, também amantes destas aventuras. Estava a léguas de imaginar que a ultima caminhada do ano, era o começo dum novo tempo, doutras andanças, mais aventuras, outra visão dos espaços ao ar livre, sentir mais terra debaixo dos pés que a vão pisando, unir o remanso da planície ao duro cume onde chegamos extenuados abrindo a alma para que o horizonte nos compense.
O ano velho terminou em Montachique, para alguns foi apenas mais uma aventura, para outros… bem, tou cansado!
O ano novo começou em Alhandra. Mais trilhos conhecidos, mais paisagens já guardadas. Mas, havia algo novo, havia qualquer coisa boa que estava a acontecer. Depois vieram mais outras e vieram amigos que trouxeram “outro amigo também” e disseram “venham mais cinco duma assentada” enquanto eu, no meu papel de melga peçonhenta, não arredei pé nem arredarei por nada. Se não me quiserem, tornar-me-ei transparente para que não vejam quem os anda a melgar.

Enchi o peito com lufadas de ar puro
Lavei os olhos com as gotas da geada
Estiquei as pernas pelos trilhos de chão duro
Vivi meu sonho, no silêncio da cumeada…

Foi um ano cheio. Fiz amigos que têm pachorra para aturar as minhas tonteiras, e aprendi que o tempo não nos mata, apenas nos dá idade. Mas a idade não nos tira nada enquanto o espirito estiver são e nos empurrar para a vida, que só existe quando a vivemos bem!
Foi um ano cheio e este já leva que contar. Mas isso fica para outras folhas de papel…

joaocasaldafonte